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Hoje: 17 Maio 2012
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Grupo de Apoio Psicológico da Opus Gay

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Grupos Terapêuticos de Inter-Ajuda LGBT

A ideia da criação de Grupos Terapêuticos de Inter-ajuda para Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgenders (LGBT), com o apoio da OPUS GAY, surgiu por se reconhecer que a possibilidade de partilhar experiências, emoções e sentimentos individuais, num grupo empático, é extremamente benéfica. A presença de dois técnicos de saúde mental, ambos com formação superior adequada em Psicologia Clínica, um dos quais com especialização em Sexologia e o outro com especialização em Terapia Psicodinâmica, permite uma análise e reflexão mais profunda dos assuntos que vão sendo abordados ao longo das sessões.

Para muitos LGBT, nunca houve a possibilidade de expressarem os seus sentimentos com amigos, ou até mesmo com familiares, por não se sentirem seguros para o fazerem. Esta é uma óptima oportunidade para poderem comunicar, num ambiente seguro e empático, o que foram guardando ao longo dos anos, com medo de serem criticados, desvalorizados, ou até mesmo mal-tratados. Mesmo que, inicialmente, não se sintam com à vontade para falar num grupo, ao ouvirem outros participantes, muitos acabam por se identificar naquilo que é transmitido, o que origina reestruturações cognitivas que vão permitir lidar de forma diferente com as mais diversas situações.

 

O trabalho desenvolvido nos Grupos Terapêuticos não visa aprofundar as questões inerentes à génese da homossexualidade de cada um dos que procuram o apoio terapêutico, mas sim ajudar a encontrar formas de lidar e ultrapassar algumas situações subjacentes a esta condição. Neste sentido, no início de cada sessão de trabalho é apresentado um tema que, eventualmente, terá emergido na sessão anterior tornando-se um continuou do processo de descoberta do próprio grupo em si, e de cada um dos membros.

O assumir da sexualidade, a homofobia internalizada, a baixa auto-estima, a depressão, a raiva, a solidão, as Doenças Sexualmente Transmissíveis, e os relacionamentos são dos temas mais marcantes do trabalho terapêutico que se tem vindo a realizar com estes grupos. Não será difícil compreender o porquê do despoletar destes temas, se considerarmos que ainda vivemos numa sociedade heterossexista, em que tudo o que foge a esta norma é social e culturalmente encarado como algo perverso ou doentio.

Porque vivemos em sociedade, e porque a sociedade em que vivemos continua a recorrer a “normas” sociais que permitem estigmatizar tudo o que é diferente, muito gays acabam por interiorizar estas “normas” sociais e com isso perdem a capacidade de serem PESSOAS na sua plenitude. Tornam-se indivíduos que embora com desejo por outras pessoas do mesmo sexo, encaram este sentimento como algo de errado e, por isso, algo que deve ser evitado ou, no mínimo, escondido dos outros. Criam uma “máscara” que não lhes permite entregarem-se a 100% nas suas relações de amizade, familiares, ou até mesmo amorosas. Criticam os seus comportamentos e procuram reprimir o seu desejo sexual, mesmo que isso lhes provoque um forte sofrimento e desgosto pela vida.

O assumir da sexualidade (comming out ou sair do armário) é um processo complexo de transformações intra-psíquicas e inter-pessoais que se estendem ao longo do desenvolvimento. Neste campo, pretende-se fazer compreender que o “ assumir-se ” pode ser baseado numa vivência individual mas plena, e/ou numa abertura a terceiros. Não se procura que os participantes espalhem pelo mundo a sua homossexualidade, mas sim, que vivam bem com ela, sem se auto-recriminarem, quer tenham, ou não, necessidade de contar a outras pessoas os seus desejos. Para que este processo seja conseguido em absoluto é necessário reconhecer e aceitar os próprios sentimentos homo-eróticos. Tarefa simplificada através de ajuda terapêutica que visa proporcionar uma boa auto-estima, bem como, uma identidade pessoal, social e relacional satisfatória.

A ausência de padrões de comportamentos com os quais gays e lésbicas se possam identificar leva a que muitos adoptem condutas características dos heterossexuais, quando não tem que ser assim forçosamente. O relacionamento de um casal homossexual não tem que ser obrigatoriamente igual ao de um casal heterossexual. Através da partilha de vivências, no grupo terapêutico, é possível estabelecerem-se modelos com os quais estas pessoas se possam identificar.

A solidão é dos assuntos que mais surgem ao longo das sessões de grupo. As oportunidades para se conhecerem outros gays e lésbicas fora dos centros urbanos são muito limitadas, embora, actualmente, a Internet tenha um papel importante como forma de escape para algumas destas situações. A idade, a falta de confiança no outro, a necessidade de procura constante de algo novo e excitante, são mais alguns dos entraves apresentados para se estabelecerem relações de compromisso mais estáveis e duradouras. Para além do mais, não podemos negar que no mundo gay, existe uma forte pressão sobre um ideal de beleza corporal, que poucos conseguem alcançar. Neste sentido, por vezes é necessário discutir, ao longo das sessões, assuntos relacionados com a imagem corporal.

As Doenças Sexualmente Transmissíveis, também são tema de discussão nestes grupos. A intervenção neste aspecto abrange não só a preocupação em transmitir conhecimentos de formas de protecção face a estas doenças, bem como estratégias para lidar com a situação em casos de participantes infectados.

Estes são apenas alguns dos temas trabalhados durante o percurso terapêutico, não existindo uma construção estanque das sessões terapêuticas, antes pelo contrário, os temas abordados são aqueles que os intervenientes consideram mais relevantes para serem discutidos durante a sessão de trabalho.

Os grupos consideram-se formados sempre que existem seis a oito elementos, não sendo permitidas entradas posteriores, de novos elementos, no mesmo grupo, salvo raras excepções, para não haver retrocessos na dinâmica do mesmo. Antes de ser integrado num grupo, o participante deve fazer uma entrevista individual, gratuita, com um dos psicólogos responsáveis pelo projecto.

Estas sessões ocorrem mensalmente em Carcavelos e têm uma duração aproximada de hora e meia. É pedido o pagamento de 10€, por sessão, a cada participante para ajuda da manutenção do espaço, onde os grupos se reúnem, e para a própria OPUS GAY poder fazer face às suas despesas enquanto organização não financiada pelo Estado Português.

Os interessados poderão contactar directamente a OPUS GAY ou qualquer um dos psicólogos envolvidos no projecto.

O poder do apoio de grupo é algo que não pode ser descrito. Tem de ser experimentado!!

Fernando Eduardo Barreto Mesquita

Tel: 969091221

http://sexologia.no.sapo.pt

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