Seu ultimo livro: "Speedball nas Dunas"
Esta é uma crónica pelas mais profundas entranhas da vivência humana em queda total para o abismo. Um sucessivo choque de palavras, sentimentos, acções, frustrações e até sonhos... Desta forma o autor procura expiar os seus pecados(?), através de um retrato nu da vivência inundada pela presença de uma droga, ou de um conjunto delas, de um comportamento desviante à luz de modelos sociais estabelecidos - mas não justificados - que orientaram a vida do autor, que na primeira pessoa experimentou a divisão em duas personalidades distintas mas complementares, que em momentos de solidão se acompanharam e se apoiaram numa luta em que a própria vida esteve em jogo. Speedball é isto tudo e ainda uma viagem, muito bem vestida, pelo mundo do prazer, do descontrolo, da vertigem...
Não basta poder dar sangue. O Instituto Português de Sangue deixou recentemente de excluir os homossexuais masculinos como potenciais dadores. A notícia foi avançada ontem pelo Diário de Notícias, e os vários movimentos gay já aplaudiram a decisão.
Para António Serzedelo, da Opus Gay, há ainda um longo caminho a percorrer, para acabar com a discriminação. O presidente da associação faz mesmo uma exigência ao primeiro-rninistro. "O choque tecnológico de que fala o engenheiro Sócrates tem que ser acompanhado por um choque cultural", sublinha. Serzedelo lembra que os homossexuais continuam a sentir na pele, no dia-a-dia, várias formas de discriminação. Uma delas, enumera, é no acesso ao emprego.
Dificuldades práticas
"Se alguém diz que é homossexual já não apanha o emprego, a não ser num bar gay", ironiza. O arrendamento é outro dos problemas, alerta António Serzedelo. "Se a pessoa disser ao senhorio que é gay, são poucos os que lhe alugam a casa". Mas há mais. "Embora já seja permitido entrar nas Forças Armadas, sendo homossexual, quem assume que o é rapidamente é convidado a sair", desabafa o presidente da Opus Gay. Mas é outra forma de discriminação que mais perturba Serzedelo, que considera fundamental uma mudança de mentalidades. "É a discriminação do olhar de lado, dos sussurros e dos comentários.Não há lei que possa mudar isso" - Jornal 24 Horas
Homossexuais masculinos já podem dar sangue 2006/03/25 - Marta Sofia Ferreira
«Pelo menos já há suporte legal contra preconceito», diz presidente da Opus Gay
Depois de anos de luta das várias organizações homossexuais portuguesas, o Instituto Português de Sangue (IPS) decidiu acabar com a exclusão de homossexuais masculinos na dádiva de sangue, noticia a edição deste sábado do Diário de Notícias.«A tendência actual é de igualdade de critérios para todas as orientações sexuais, há uma recapitulação em termos internacionais nesta matéria», explicou ao DN o presidente do IPS, Almeida Gonçalves, que garante ter sido já retirado da página de internet do Instituto o critério de exclusão «homens que têm sexo com homens». A decisão foi tomada no final de 2005 mas até agora ainda não tinha sido anunciada publicamente. Almeida Gonçalves justifica a discrição com o facto de «se querer fazer isto com naturalidade e rigor científico, sem dar a ideia de que se reagiu a qualquer tipo de pressão», e também por estarem em elaboração, no âmbito da aplicação de uma directiva europeia, as novas regras de selecção de dadores, a cargo de um grupo de trabalho nomeado pelo Instituto. E garante: «Quando os critérios estiverem escritos, são publicados em livro e toda a gente vai saber». «Pelo menos já há suporte legal contra o preconceito» A novidade foi recebida com alegria pelas associações homossexuais portuguesas. «Pelo menos já há suporte legal contra o preconceito», diz ao PortugalDiário António Serzedelo, presidente da Opus Gay.
Para o dirigente da organização homossexual, esta decisão significa duas coisas: «Que acabou o preconceito médico de encarar os homossexuais como portadores de doença só pelo facto de o serem e acabou a política de grupo de risco, para finalmente se assumir uma política de comportamentos de risco». António Serzedelo encara a decisão como uma vitória da luta constante «de todas as organizações homossexuais, mas principalmente do Grupo de Trabalho Homossexual do Partido Socialista Revolucionário. Alguns membros ofereceram-se mesmo como cobaias para doar sangue». - Portugal Digital
Um inquérito feito a 600 homossexuais que vivem no espaço rural português mostra uma situação de solidão "muito profunda", por falta de locais de convívio - revelou a Associação "Não te prives".
Intitulado "Homossexualidade em Espaço Rural - Conhecer para Agir", o inquérito foi feito pela Associação " Não te prives" em parceria com o portal Portugal Gay, em cuja página foi publicado.
"As respostas são bastante interessantes. Há uma conclusão geral: este tipo de população vive uma situação de solidão muito profunda por falta de imagens positivas e de espaços de convívio", revelou hoje à agência Lusa Paulo Jorge Vieira, presidente da direcção desta associação juvenil de defesa dos direitos sexuais.
Ao inquérito, com mais de três dezenas de perguntas, responderam homossexuais, homens e mulheres, de todo o país.
"As respostas mostram que as pessoas, quando podem, fogem para as grandes cidades, pelas dificuldades de viverem nos meios pequenos. Há sempre a tendência de os homossexuais irem para locais maiores para se encontrarem com outros homossexuais", disse ainda o investigador à Lusa, à margem de uma conferência de imprensa a propósito do quarto aniversário da associação com sede em Coimbra.
De acordo com Paulo Jorge Vieira, os primeiros resultados deste estudo pioneiro para conhecer as condições de vida dos homossexuais em pequenas cidades e vilas portuguesas serão divulgados em Junho.
Algumas das frases deste projecto de investigação vão acompanhar, entretanto, a exposição de fotografia "Homossexualidade em Espaço Rural", com imagens feitas por jovens modelos e fotógrafos da Associação em espaços rurais.
A par com a mostra "Manta de Mulheres: arte- intervenção em movimento", esta exposição integra-se nas comemorações do aniversário da organização, e estão ambas patentes, até sexta-feira, no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.
Subordinado ao título "Mulher(es) - Olhares Cruzados" o programa comemorativo compreende ainda um seminário, na quinta-feira, sobre a temática das mulheres e uma festa, sábado, na discoteca Vips, em Mira.
O CES e o Instituto Português da Juventude apoiam as comemorações.
A "Não te prives" foi fundada há quatro anos e conta com cerca de 70 associados, sobretudo estudantes universitários e jovens investigadores.
Agência LUSA2006-02-14 17:26:27 RTP
Internacionais
(22/11/2006) O presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde (CPPS) anunciou esta terça feira que o seu Dicastério "ultimou" um estudo sobre o preservativo. O documento, de carácter "científico e moral", segundo o Cardeal Javier Lozano Barragán, surge após um pedido de Bento XVI para que fosse levado a cabo um diálogo entre este Conselho Pontifício e a Congregação para a Doutrina da Fé a respeito deste assunto.
O Cardeal mexicano, que falava em conferência de imprensa, no Vaticano, explicou que o estudo utiliza o saber de especialistas, tanto da ciência como da teologia moral. O estudo está agora a ser analisado pela Congregação para a Doutrina da Fé", explicou.
O documento reúne todas as posições da Igreja a respeito do uso do preservativo, desde as mais liberais às mais rígidas. A discussão deverá centrar-se, nos próximos tempos, sobre a utilização do preservativo em casos particulares e limitados, como a situação de casais em que um dos membros está contaminado pelo HIV.
Ontem, na apresentação da XXI Conferência Internacional promovida pelo CPPS, o Cardeal Barragán lembrou que a Sida está em crescimento, afectando 40 milhões de pessoas, com situações mais dramáticas nos países menos desenvolvidos, já que estes não têm acesso aos fármacos antiretrovirais.
A iniciativa do Vaticano será dedicada ao tema "Aspectos pastorais do cuidado das doenças infecciosas" e reunirá, de 23 a 25 de Novembro, 536 especialistas de todo o mundo, entre médicos, investigadores, estudiosos e pastoralistas.
Nos trabalhos será traçado o quadro das doenças infecciosas que ameaçam a espécie humana e o papel que a Igreja, aos mais diversos níveis, desempenha no auxílio, acompanhamento e tratamento das pessoas afectadas por doenças infecciosas, muito debilitantes, algumas ainda incuráveis.
O presidente do CPPS espera que a conferência ajude a identificar a realidade, a propor o tratamento, à luz do Evangelho e encontrar caminhos para a Pastoral. Presentes estarão também budistas, judeus e muçulmanos.