Opus Gayta

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Apresentação

O Opus Gayta tem por objectivos o apoio e defesa dos direitos humanos, o apoio à Cidadania,ao Estado democrático laico e republicano, o respeito pela Diversidade, e pela Liberdade, e o apoio a nível individual e colectivo, das minorias sexuais, e étnicas e de intervenção social, laboral, política, ecológica e no domínio da Saúde, sobre os problemas que afectam em geral a Sociedade e especificamente os que dizem respeito às minorias referidas

Espaço de Discussão

Sair do Armário (Artigo para Pais e filhos)

Dr. José Carlos Soares Cardoso Psicólogo* (psico_carlos@hotmail.com) (Gabinete de Apoio á Vítima da P.S.P. de S. João da Madeira) Investigador –(Carlos_fpceup@hotmail.com) (FPCE-UP)

“Sempre me senti diferente das outras raparigas desde que tenho memória. Comecei a ter sentimentos sexuais ao acaso por ambos os sexos, à volta dos 11 anos de idade…Não me apercebi que eram os meus sentimentos para com os rapazes que faziam parte de uma fase e que passariam quando eu tinha 15 anos". 18 anos.

"…apercebi-me tarde, que os meus sentimentos eram homossexuais… Sempre neguei a minha identidade e cheguei mesmo a namorar com várias raparigas. Tive prestes a casar…” P. 30 anos

O presente artigo, é sobretudo direccionado aos adolescentes homossexuais (daí o facto de me dirigir a eles na primeira pessoa), bem como aos pais. Não quero que interpretem mal o artigo, nem que o percebam como “um assumir-se” de quem pensa que é homossexual. Não! São algumas reflexões de ajuda sobre o tema na tentativa de melhor poderem entender e lidar com a homossexualidade.

O conhecimento de que se é homossexual pode levar alguns anos. Inicialmente quando se descobre a homossexualidade, tem-se a tendência em esperar que seja apenas uma fase.

Quantos não passaram pela angústia e medo de serem diferentes?

Quantos não ouviram as piadas sobre os 'maricas' e pensaram no que diriam se soubessem?

Quantos não acordam pela manhã e se deitaram, com grande receio de serem descobertos pela família, amigos e colegas?

Quantos não namoram e mesmo casam, nalgum momento das suas vidas, com alguém do sexo oposto como forma de mascarar a própria orientação sexual?

Quantos não mostraram desconhecer os assuntos referentes à homossexualidade enquanto ouviam os amigos hetero dizerem as maiores barbaridades sobre o assunto?

Estas questões são apenas o enunciado, o início do problema do que é ser homossexual. Muitos ao reconhecerem que são diferentes e, muitas vezes, discriminados (sem qualquer razão para tal!), perdem a confiança em si próprios, a auto-estima e ficam deprimidos. Muitos encontram no suicídio uma saída para a infelicidade e desespero. Muitos daqueles que não escolhem a via do suicídio, particularmente os mais jovens, levam uma vida de silêncio e opressão, que muitas vezes aparece estigmatizada nas suas relações estáveis mais tarde. Esta falta de diálogo devido ao medo de incompreensão, faz com que seja cada vez mais importante que cada um de nós assuma a sua sexualidade com consciência e que, antes de tudo, se descubra sexualmente perante si próprio, como forma primeira e única de depois se poder revelar perante os outros e também, e mais importante, como forma de poder levar a sua sexualidade com maturidade e dignidade. Este assumir-se perante si próprio é o primeiro passo para se sair do armário e tanto poderá acontecer na adolescência (e será desejável que isso aconteça!), como muito mais tarde.

Há quem o consiga aos 16, 18 ou 19 anos e outros já depois dos 30, 40. Em Portugal cerca de 10% da população é homossexual E a família? Certamente que o contar à família e aos pais será, na esmagadora maioria dos casos, um momento traumatizante e mesmo de conflito, aberto ou latente, entre o jovem e os pais, mais difícil se este for filho único e pior ainda se eles tiverem da sociedade uma ideia conservadora (educacional, religiosa ou política), assente na dicotomia bem/ mal, certo/ errado, pecado/ não pecado. Efectivamente não será fácil para os pais lidarem com a ideia de terem um filho homossexual, uma vez que sentirão ruir toda uma série de expectativas que tinham em relação a este: a possibilidade de casar, vir a ter filhos (ser avós), etc.

Serão igualmente dominados pelo medo do que possam dizer os outros membros da família, os vizinhos e os conhecidos.  Poderão mesmo ser levados a tentar ignorar o que lhes dizem, ou a responder de forma agressiva. São reacções normais, a que só o tempo poderá eventualmente pôr termo. Para além disso, na sua esmagadora maioria, a reacção será de choque, de desgosto, de sentimento de perda, de culpa e mesmo de raiva (quantas vezes não se houve a pergunta "quem é que te levou para essa vida?). Conforme já referimos anteriormente, convém ao homossexual não desesperar, pois o tempo se encarregará de sarar as feridas eventualmente agora abertas. O importante é também estar-se preparado, pois haverá pais e outros familiares que nunca entenderão a sexualidade. Quando se pretender dizer, pode fazer-se abertamente, arranjando um momento oportuno para tal, ou então escrevendo-lhes uma carta (particularmente se já não habita com os pais). Quando se trata de um filho único, poderá igualmente ser útil, este socorrer-se de uma irmã ou irmão, para auxiliarem nesta tarefa.                 Sobretudo nunca podemos esquecer (e dirijo-me a ti, jovem ou adulto) dos seguintes pontos:

· A tua sexualidade somente a ti te diz respeito:                 Não diz respeito a mais ninguém, senão a ti próprio, aquilo que fazes sexualmente. Ninguém anda por aí a prestar contas da sua vida sexual. Os teus pais falam-te da vida sexual deles? O teu irmão conta-te alguma coisa sobre isso? Também tu não tens obrigação nenhuma de saíres por aí a gritar que és homossexual.

· Combate sempre os comentários maldosos:                 Este é um dos passos mais complicados – e um dos mais importantes. É impossível viver em paz num ambiente onde as pessoas estão constantemente a gozar contigo, mesmo sem o saberem... Cabe-te a ti lutares contra isso. Deves insurgir-te contra comentários homófobos. Não tolerares a discriminação dentro de casa, já é um alerta para que a tua família perceba que os homossexuais são pessoas que lutam pelo simples direito de ser quem são – e não merecem ser alvo de chacota. Arranja sempre bons argumentos.

· Não tenhas vergonha de encarares a tua própria homossexualidade:                 Muitos homossexuais fazem os impossíveis para que a palavra homossexual nunca entre em suas casas – como se cada programa de televisão, matéria de revista, ou filme de vídeo fosse anunciar aos quatro cantos da casa que eles próprios são homossexuais. Isto parece-te familiar? Começam a falar de homossexuais na televisão e tu estás com o teu pai vendo – corres e mudas de canal. Chegou uma revista com matéria na capa sobre a homossexualidade – tu escondes a revista. Aquela cassete de vídeo que alugaste, e que toda a família está a ver, tem um beijo entre dois tipos e tu nem sabias – mesmo assim afundas-te no sofá... Isto NÃO pode acontecer. Visibilidade gera tolerância. Ou seja – quanto mais os teus pais e familiares se acostumarem com a presença dos homossexuais, menos preconceituosos eles vão ser. Considerar o tema da homossexualidade como tabu dentro de casa como forma de não “chamar a atenção” sobre ti, é uma grande e grave asneira – isso gera a ignorância e a ignorância gera o preconceito.

· Tenta ser um bom filho:                 És provavelmente (com raras excepções!) o único homossexual próximo da tua família. Logo, grande parte do julgamento que eles farão sobre os homossexuais virá do teu comportamento. Qualquer coisa errada que faças, mesmo que não tenha nada a ver com sexualidade, vai ser motivo para eles dizerem que és assim ou fizeste tal coisa porque és homossexual, ou porque os teus amigos homossexuais te levaram para o mau caminho. Então sê um bom filho. Lógico, isso só acontece se eles souberem que és homossexual.

· Os teus pais têm dúvidas? Conta-lhes a verdade!                 Tudo bem, a tua sexualidade não diz respeito a ninguém – mas também não é nada de errado. Se os teus pais desconfiam, perguntam muito, dão-te indirectas, e tu não contas a verdade, ou pior ainda negas, fica parecendo que estás metido em algo sujo, proibido, perverso... E não existe imaginação mais fértil do que a de um pai ou de uma mãe... Por isso, como já referimos atrás, deves contar logo. Deste modo terás muito mais moral para coibir os comentários maldosos, ao mesmo tempo em que mostrarás a todos que não tens vergonha de encarar a homossexualidade e, se fores um bom filho, vais esfregar na cara deles que és homossexual – e que isso não muda nada a tua maneira de ser.

Adaptado da APHM, 2007

E os amigos? Os amigos terão certamente todo o direito em te conhecer como homossexual e olhar-te como uma pessoa completa. No entanto, quando lhe omites a sexualidade, fazendo-te passar por aquilo que não és, estarás a mostrar que não confias neles e que, em última instância, eles não te poderão considerar como verdadeiro amigo, pois uma das bases da amizade é precisamente a honestidade. Onde há mentira não há amizade, nem amor. Deves igualmente estabelecer uma linha divisória, muito precisa, entre amigos e conhecidos (hoje muitos de nós temos a infeliz tendência de analisarmos as pessoas pela superficialidade e a entrar em situações de pouca clareza), para que se salvaguarde de alguma inesperada desdita. Apesar de todos estes cuidados, acabaras por verificar que alguns dos que se dizem teus amigos, acabarão por se afastar de ti, quando souberem que és homossexual. Nessa altura deves interrogar-te se seriam de facto teus amigos.                 Os restantes, aqueles que efectivamente podes considerar como verdadeiros amigos, permanecerão como tal e, então, verás que a relação de amizade se tornou mais forte, pois não é necessário andares a esconder o teu namorado(a) ou companheiro(a), fazendo-o passar por algo que não é (pois certamente representará para a pessoa muito mais do que isso). Em suma, não te esqueças que a revolução para mudar as mentalidades começa na própria pessoa.

Dr. José Carlos Soares Cardoso Psicólogo

Contacto: Carlos_fpceup@hotmail.com


Homem, Homossexual e Pai

Encimesmados

Muito frequentemente recebo mensagens de outros homossexuais, tanto homens quanto mulheres,

mas principalmente homens, que gostariam de conversar sobre a questão de filhos. Uns porque já tem filhos Outros porque tem vontade de ter filhos e queriam mais informações sobre adoção. Alguns me falam de um desejo muito forte de ter filhos, mas acham que vai ser ruim para a criança ter um pai ou mãe homossexual. Outros querem saber qual é a melhor hora de contar para seu filho que são homossexuais. Uns tantos me contam de suas vidas, de como as coisas tem dado certo.

Outros tantos dizem-se muito isolados, muito sozinhos, sem chances de conviver com outros pais em situações parecidas. É engraçado que quando converso com estas pessoas sempre chegamos as mesmas conclusões: que seria bom ter um espaço, um grupo , um momento, para que estas familias se encontrassem, que seria bom para nossas crianças, e para nós mesmos, que convivessemos com familias em situações parecidas.

Nos EUA isto é muito comum, na realidade os EUA tem grupos para tudo, as pessoas não dependem tanto do Estado e se auto organizam com mais frequencia. Mas a coisa nunca engata! E eu nem sei bem porque. As pessoas não retomam o assunto, não se entusiasmam, e o assunto morre...Eu sugiro um encontro,uma conversa pessoal, mas sempre esbarramos na falta de tempo, na correria, ou na falta de prioridade.

Na realidade eu até participo de um grupo no YAHOO, que se chama FAMILIAS ALTERNATIVAS , que tem um pouco esta intenção e até consegue, mas é um grupo formado majoritariamente por mulheres e também anda um pouco desanimado, mas que já teve vários destes encontros não só em São Paulo mas também no Rio e até em Brasilia...

Eu não tenho dúvida na validade destes encontros deste papos, não só para os pais mas principalmente para os filhos, pois eu acredito que é muito importante encontrarmos nossos pares, pessoas com algo em comum. E a gente pode aprender, pode ensinar, pode dividir. Não sou defensor dos guetos, mas estar entre pessoas que tem muito em comum com você é fundamental, funciona para negros, para soropostivos, para crianças com necessidades especiais, para ecologistas, para educadores, para empresários...porque não seria bom para pais homossexuais?

Quem sabe a gente encontra mais gente com as mesma idéias e começamos algo o quanto antes! [[[ ]]]

mensagem de Homossexual e Pai

 

 

 


 

 

Newsletter GayProvence Septembre 2007

 

 

 

 

 

 

Retrouvez désormais le mensuel de Gay Provence sous son nouveau nom : Gaymag... Et, pour plus de souplesse, sur le site du même nom : www.gaymag.fr Un site, de nouvelles rubriques... Sur gaymag.fr, vous pourrez consulter tous les articles en ligne, mais également continuer à télécharger l'édition complète au format PDF. Plus d'actu : l'équipe s'est agrandie. Vous retrouverez toutes les rubriques habituelles, mais aussi des interviews de personnalités politiques qui font le tourisme et un agenda des festivals.

 

 

Une rentrée qui gâte vos sens... Le retour des vacances, c'est toujours un mauvais moment à passer. Heureusement, nous avons sélectionné de quoi contenter chacun de vos sens en prolongeant le bienfait des vacances, avec une balade à Mougins pour la bonne bouche, une interview de Jean Marc Coppola pour la tête, une balade à la voile pour reposer vos oreilles dans le calme du large, ainsi qu'un tiramisu véritable pour mettre vos mains à la pâte au service de la gourmandise ! Bonne rentrée ! SOMMAIRE Brèves : L'actu de la rentrée Balade : Balade dégustative à Mougins Interview : Jean Marc Coppola : les Gays et PACA Hors-norme : Les Corbières à la voile Destination : Aigues Mortes, wild wild gays ! Cuisine : Tiramisu de Chantale Agenda : Les rendez-vous de Gay Provence Actu Gay Provence Retrouvez-nous sur le salon du SIGL, le salon international gay lesbien & friendly ! Du 2 au 4 novembre 2007 au Carrousel du Louvre à Paris.

Informations et réservations : http://www.sigl.fr


Homem, Homossexual e Pai

encimesmados

Muito frequentemente recebo mensagens de outros homossexuais, tanto homens quanto mulheres, mas principalmente homens, que gostariam de conversar sobre a questão de filhos. Uns porque já tem filhos Outros porque tem vontade de ter filhos e queriam mais informações sobre adoção. Alguns me falam de um desejo muito forte de ter filhos, mas acham que vai ser ruim para a criança ter um pai ou mãe homossexual Outros querem saber qual é a melhor hora de contar para seu filho que são homossexuais. Uns tantos me contam de suas vidas, de como as coisas tem dado certo. Outros tantos dizem-se muito isolados, muito sozinhos, sem chances de conviver com outros pais em situações parecidas. É engraçado que quando converso com estas pessoas sempre chegamos as mesmas conclusões: que seria bom ter um espaço, um grupo , um momento, para que estas familias se encontrassem, que seria bom para nossas crianças, e para nós mesmos, que convivessemos com familias em situações parecidas. Nos EUA isto é muito comum, na realidade os EUA tem grupos para tudo, as pessoas não dependem tanto do Estado e se auto organizam com mais frequencia. Mas a coisa nunca engata! E eu nem sei bem porque. As pessoas não retomam o assunto, não se entusiasmam, e o assunto morre...Eu sugiro um encontro,uma conversa pessoal, mas sempre esbarramos na falta de tempo, na correria, ou na falta de prioridade. Na realidade eu até participo de um grupo no YAHOO, que se chama FAMILIAS ALTERNATIVAS , que tem um pouco esta intenção e até consegue, mas é um grupo formado majoritariamente por mulheres e também anda um pouco desanimado, mas que já teve vários destes encontros não só em São Paulo mas também no Rio e até em Brasilia... Eu não tenho dúvida na validade destes encontros deste papos, não só para os pais mas principalmente para os filhos, pois eu acredito que é muito importante encontrarmos nossos pares, pessoas com algo em comum. E a gente pode aprender, pode ensinar, pode dividir. Não sou defensor dos guetos, mas estar entre pessoas que tem muito em comum com você é fundamental, funciona para negros, para soropostivos, para crianças com necessidades especiais, para ecologistas, para educadores, para empresários...porque não seria bom para pais homossexuais? Quem sabe a gente encontra mais gente com as mesma idéias e começamos algo o quanto antes! [[[ ]]]

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