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Associações LGBT:

 
Psicoterapeuta:

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Nossos Direitos

Debate 15/07/2007 sobre Orientação Sexual, na Festa da Diversidade

Intervenção de António Serzedelo, da Associação Opus Gay

Introdução:

Compete-me a mim hoje falar de exclusões dentro das exclusões ou, se quiserem, de aspectos transversais da exclusão social. Infelizmente, se nós próprios somos vítimas, ou objectos, de muitas exclusões, também é verdade e triste que na nossa comunidade também se pratica muita exclusão. Isto acontece, não porque sejamos maus ou piores do que os outros, mas porque vivemos e crescemos num mar e numa cultura de exclusões, que acabamos por assimilar e por assumir inconscientemente, num discurso maioritário que, embora não nos sirva e nos manipule, acabamos por usar contra os outros e, afinal, contra nós próprios. Nesta comunidade de que fazemos parte e que é tão poliédrica e multifacetada com gostos e desgostos para tudo, eu poderia dizer que há homossexuais racistas, mas que são capazes de instrumentalizar essas pessoas que ostracizam para fins exclusivamente sexuais: há homossexuais xenófobos; há homossexuais misóginos e que detestam as mulheres, como aliás muitos homens sexistas; há homossexuais jovens que abominam os seniores ou a 3ª idade; há homossexuais profundamente classistas que só se revêem no seu estatuto social e, enfim, há homossexuais que não toleram a deficiência por medo, por ignorância, por preconceito herdado.

 

Manifesto da Opus Gay para o Dia do Orgulho Gay em Portugal

Por definição nas sociedades democráticas as organizações que defendem o respeito pela orientação sexual, e a igualdade de género são tolerantes, solidárias , cooperantes. No tecido organizativo português, fenómeno a que não é alheia a ingerência dos partidos políticos, assiste-se a uma escalada integrista, com radicalismos de comportamentos que levam à discriminação de organizações,em eventos que são de âmbito universal, como o Dia Internacional Contra a Homofobia, do Orgulho Gay, etc. Assistimos na sociedade portuguesa a uma tentativa continuada de apropriação na coordenação destas iniciativas, e destes momentos, deixando-se sistematicamente no esquecimento deliberado, algumas organizações e pessoas que travam no quotidiano lutas a favor da igualdade, e pela liberdade, trabalhando sem espalhafato, nem preocupação de imagem. A situação é tão mais escandalosa quanto o ano que corre está vocacionado para a Igualdade de Oportunidades para Todos e Todas, e é exactamente assim que se comemora em toda a Europa ,com excepção do nosso país, onde há organizações que até gozam de apoios públicos, para praticar a desigualdade e promover a discriminação.

É deplorável que organizações como a Ilga Portugal encorajem a segregação e dividam todo o movimento lgbt, disfarçando-se de unitária, para impôr um discurso único, a ponto de impedir organizações como a Opus Gay de frequentar o Centro dito Comunitário lgbt de Lisboa, que não lhe pertence e é propriedade da CML.
A despeito desta escandalosa discriminação que atinge os nossos deficientes, apoiada por partidos e personalidades que invocam a tolerância e ideais de solidariedade, e que é feita com tentativas de manipulação de sindicatos e sindicalistas, e institucionais,que pretendem isto desconhecer, a Opus Gay vem saudar a Marcha do Orgulho Gay, para a qual não foi convidada, de molde a impedir a passagem das suas posições , e pôr-se inteiramente á disposição daqueles que pretendem dialogar, saber como trabalha, para quem trabalha, e com que nível de independência e rigor o faz.
A Opus Gay é uma ONG independente de partidos, apoia jovens em risco(recentemente entregamos um caso de sequestro à APAV,e apoiamos um emigrante desempregado por razoes de orientação sexual que levamos a um programa da RTP2 ), dá apoio jurídico e aconselhamento psicológico, distribui preservativos no combate ao HIV, mas não recebe quaisquer subsídios para as suas actividades. Utiliza as suas instalações para debates, reuniões, conferências, que tragam esclarecimento a todos aqueles que queiram promover o respeito pela orientação sexual .
A Opus Gay dirige-se a partidos políticos, à administração , e à opinião pública, com propostas que apontam para a educação sexual no contexto da educação para a Cidadania. Mas também propôs há muito, um diálogo com as forças policiais e prisionais, colaborando sempre com os media. A Opus Gay acredita que as mudanças de mentalidades também passam por alterações no quadro jurídico, se bem que a Constituição consagre como categoria geral a liberdade de orientação sexual, tem-se empenhado pela existência de um quadro legal que defenda os transsexuais(questão de género) pelo que apresentou às entidades competentes, uma"Lei de Identidade de Género".

Chamamos veementemente a atenção para as uniões de facto, estatuto sobre o qual paira um enorme equívoco, porque não contempla direitos da existência em comum, que se transmitem ao outro ou à outra, bem como apoiamos a revindicação do casamento entre homossexuais, que desejamos ver resolvido com a maior brevidade possível, a adopção homoparental, no plano social uma maior atenção para a terceira idade homo , no plano económico para o turismo gay, e no plano laboral para a divulgação das boas praticas, como aquelas que assistimos há dias na SIC, sem esquecer as denúncias das discriminações nos locais de trabalho .
A Opus Gay trabalha para um sociedade sem discriminações ,pela diversidade que é uma riqueza, neste Ano Europeu Pela Igualdade de Oportunidades Para Todos estamos de portas abertas para vos acolher, e prestar todos os esclarecimentos necessários.
Viva o Dia do Orgulho Gay!

Valter Filipe Presidente da Opus Gay

 

Debate 15/07/2007 sobre Orientação Sexual, na Festa da Diversidade

Intervenção de António Serzedelo, da Associação Opus Gay

INTRODUÇÃO:

Compete-me a mim hoje falar de exclusões dentro das exclusões ou, se quiserem, de aspectos transversais da exclusão social. Infelizmente, se nós próprios somos vítimas, ou objectos, de muitas exclusões, também é verdade e triste que na nossa comunidade também se pratica muita exclusão. Isto acontece, não porque sejamos maus ou piores do que os outros, mas porque vivemos e crescemos num mar e numa cultura de exclusões, que acabamos por assimilar e por assumir inconscientemente, num discurso maioritário que, embora não nos sirva e nos manipule, acabamos por usar contra os outros e, afinal, contra nós próprios. Nesta comunidade de que fazemos parte e que é tão poliédrica e multifacetada com gostos e desgostos para tudo, eu poderia dizer que há homossexuais racistas, mas que são capazes de instrumentalizar essas pessoas que ostracizam para fins exclusivamente sexuais: há homossexuais xenófobos; há homossexuais misóginos e que detestam as mulheres, como aliás muitos homens sexistas; há homossexuais jovens que abominam os seniores ou a 3ª idade; há homossexuais profundamente classistas que só se revêem no seu estatuto social e, enfim, há homossexuais que não toleram a deficiência por medo, por ignorância, por preconceito herdado.

SURDOS:

Vou começar por pensar na comunidade surda. Dizem os surdos que são os ouvintes que fazem da surdez um problema. Os surdos são, em geral, uma minoria cultural que tem um património próprio, com uma uma língua própria, a lingua gestual. Mas a cultura dominante na nossa sociedade é um discurso oral ou escrito, sendo-nos difícil admitir que se possa comunicar de outro modo. É um pouco o que acontece com a sexualidade dominante hetero, que tem muita dificuldade em aceitar outras formas de expressão sexual para além da sua, que pretende impor como exclusiva. Entretanto, aqui denoto uma diferença: enquanto os hetero, em grande parte, excluem os homo ou bi, na comunidade surda, a convivência entre hetero e homo surdos é muito boa e não existe praticamente discriminação. Quem discrimina os gays surdos são em geral os gays ouvintes, que, aqui, e mais uma vez, partilham da convicção maioritária de que a única língua válida é a oral. Assim, para nós, eles são portadores de deficiência, enquanto os surdos se consideram a si próprios simplesmente "pessoas diferentes". Durante séculos, nós ouvintes, decidimos por eles o que lhes era conveniente e só recentemente se começou a reconhecer a pessoa surda como detentora de um estatuto jurídico, como pessoa diferente. Por isso, os surdos, hoje, reivindicam uma sociedade multi-cultural, tolerante e solidária (tal como a comunidade lgbt), com a efectiva promoção da igualdade de oportunidades entre ouvintes e surdos e, nesse sentido, é necessário respeitar o seu direito fundamental de comunicar, que se realiza através da lingua gestual.

CEGOS:

Passo agora ao exemplo da cegueira. Fui visitar o blogue do Tadeu Bengala. O Tadeu tem 33 anos, é cego de nascença e homossexual. Criou o blogue para "apoiar pessoas que, descobrindo-se homossexuais, se julgam num beco sem saída por serem cegas e gays". O Tadeu diz-nos que a sexualidade das pessoas com deficiência é relegada para segundo plano, porque subsiste a crença de que os deficientes são desprovidos de sexualidade ou então que ela não tem importância neles. Os gays cegos sofrem um duplo preconceito: sofrem por parte dos homo por serem deficientes, logo sem sexualidade, e até da própria comunidade de deficientes que, sendo hetero, não entende que possam ser gays. O Tadeu Bengala, no seu blogue, pretendendo uma abrangência que nem sempre encontramos no nosso grupo, diz-nos: " Desejo que os que me visitarem, gays ou não, cegos ou não, mas que de alguma forma se sentem atingidos por algum tipo de preconceito, sintam que não estão sós e não passem pelo mesmo sofrimento silencioso de 8 anos por que eu passei. Hoje sou feliz e não tenho vergonha de mim mesmo!" Ele dá-nos alguns conselhos para aprendermos a viver e deixarmos de nos sentir desconfortáveis diante do Diferente: não devemos fazer de conta que a deficiência não existe porque isso é ignorar uma importante característica do indivíduo em questão; devemos aceitar a deficiência mas não a subestimar nem sobrestimar; devemos aceitar que as pessoas deficientes têm o direito, podem e querem tomar as suas próprias decisões e assumir as suas responsabilidades; a pessoa com deficiência não se importa de responder a perguntas sobre a sua deficiência, mas devemos dirigir-nos a ela e não aos seus acompanhantes ou intérpretes; devemos oferecer ajuda de forma adequada mas não nos ofender se for recusada; se não soubermos fazer alguma coisa que um deficiente peça, devemos sentir-nos livres para recusar; no convívio social ou profissional, não devemos excluir as pessoas cegas dessas actividades, mas deixá-las decidir dessa participação; podemos usar os termos "veja" e "olhe" porque não se ofendem;

DEFICIÊNCIA MOTORA:

Passemos agora às pessoas com deficiência motora. Pessoas que usam bengalas, muletas, cadeiras de rodas... Estas são quase uma extensão do seu próprio corpo. Por isso, deve-se ter cuidado na manipulação destes objectos. Chamo a atenção para os casos de homens e mulheres homossexuais que são paraplégicos. Muitos são-no por causa de um acidente que os pôs nesse estado, mas antes já eram gays ou lésbicas e vão continuar a sê-lo pela vida fora. Para muitos, torna-se extraordinariamente difícil encontrar um(a) parceiro(a) ou uma relação estável, mas eu conheço casos em que isto acontece. Muitos socorrem-se da Internet para abrirem novas janelas para a sua vida, tal como muitos de nós estabelecemos relacionamentos válidos pela net. A dificuldade está, muitas vezes, em ser aceite pelo interlocutor quando sabe com quem está a falar. O Tadeu contou-me que cortaram imediatamente uma relação com ele quando souberam que era cego. Também me referiu que, numa sauna, não o deixaram entrar, embora viesse acompanhado de um guia gay. Devo acrescentar que 15% dos sites públicos e muitos locais públicos não cumprem os requisitos mínimos de acessibilidades, embora no sector privado haja mais sensibilidade para esta questão, por razões que se compreendem.

CONCLUSÃO:

Vemos que há aqui um imenso território a desbravar e uma necessidade de desenvolver uma cultura pela diversidade, tolerante, solidária e multi-cultural, que sirva a todos e todas e uma educação para a cidadania, também na nossa comunidade.

 

Carta Internacional dos Direitos Humanos

 

Constituição da República Portuguesa

 

Proposta de Lei de revisão do Código Penal

 

Lei 46 2006 proíbe e pune discriminação

 

 

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